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Esquerda e Direita na Economia do Brasil: Poucas divergências e muitas brigas.

25/05/2020   publicado por: Paulo André

Hoje assistimos no Brasil discussões, algumas vezes violentas entre pessoas que se dizem de direita e esquerda. Porém em economia se associa a ideia de que liberal defende o livre mercado, sem as amarras do Estado, com maior participação do setor privado. Já os que tem viés de esquerda defendem uma maior intervenção do Estado, sendo chamados de desenvolvimentistas. Inclusive com a participação do Governo nas empresas que atuam na economia. Porém no Brasil, quando se fala de economia, na prática, esquerda e direita atuam de forma muito semelhante. 

No Brasil tivemos em toda a nossa história uma intervenção do Estado na economia muito forte. Desde o Governo Getúlio Vargas, tivemos o processo de industrialização via surgimento de empresas estatais, como a Petrobrás, por exemplo.  Depois na época do Governo Militar, onde o Brasil passou por uma grande onda estatizante em quase todos os setores da econômica. De fato, a “direita” ali não teve nada de liberal. 

E devemos lembrar que o governo Dilma privatizou muito mais que o atual governo Bolsonaro, em termos proporcionais. Dilma e Lula privatizaram sob a forma de concessão estádios de futebol, aeroportos, rodovias, usinas hidrelétricas, ferrovias, entre outras coisas. Lembrando que o Banco do Estado do Ceará foi vendido para o Bradesco quando Lula estava na presidência.  No momento atual, a política de liberal de Bolsonaro ainda não conseguiu fazer nenhuma privatização efetiva. Somente vendeu participações em pequenas empresas subsidiárias da Petrobras e Correios. 

Em termos de reformas econômicas, vale saber que Lula fez uma reforma da previdência tão polêmica como a de Bolsonaro. Inclusive subtraindo vantagens que os funcionários públicos tinham asseguradas pela Constituição. Assim como Dilma também teve que fazer uma nova reforma instituindo o fator de idade junto com a o tempo de contribuição, fazendo que todos trabalhassem mais para obter a aposentadoria. Bolsonaro continuou o processo com o aumento da idade mínima para se aposentar. As reformas na previdência foram necessárias para evitar a quebra do sistema e do país. E outra certamente antes de virarmos a próxima década, este tema vai voltar ao debate político com toda a certeza.

Programas de incentivo ao combate à pobreza, tal como o “Bolsa-família” são vendidos como uma bandeira econômica da esquerda. Trata-se de um programa que é bastante efetivo, apesar de ser usado para fins políticos. Mas vale ressaltar que o modelo do “bolsa-família” já era realidade no governo de FHC, nos idos de 1997. E que tinha os mais variados benefícios, tais como vale-gás, bolsa escola entre outros. Programas estes que foram unificados no bolsa família em 2004. Sistema que funciona inclusive no atual governo, que incrementou com uma distribuição de uma parcela a mais em 2019.  Me assusta que com tantas convergências no Brasil entre as práticas econômicas dos liberais (direita) e dos desenvolvimentistas (esquerda), os eleitores discutem, brigam e mesmo finalizam amizades por pura paixão. Seja quem estiver no comando do país, receberá um país que está com a economia em frangalhos, com alto índice de desemprego desde o Governo Dilma (e que vai piorar por conta do COVID-19), sem receitas para pagar as contas públicas e funcionalismo, e tanto as empresas, como governos e famílias com alto índice de endividamento. Muito provavelmente, tanto direita quanto esquerda irão adotar os mesmos remédios para tirar o Brasil da crise no longo prazo.

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